PORTFOLIO︎︎︎


“Vivemos a experiência mas perdemos o significado,
e a proximidade do significado restaura a experiência.
Sob forma diversa”
T. S. Eliot, The Dry Salvages, 1941

                A elaboração de grande parte de minhas obras remonta a meus anos de pesquisa acadêmica, primeiro em filosofia e, mais tarde, em história da arte e estudos curatoriais. Essa transição para as artes visuais, longe de representar uma ruptura com a pesquisa formal, foi motivada pelo desejo de pôr à prova o que havia aprendido até então. Trabalhar hoje como artista significa tentar aplicar essas ferramentas e habilidades teóricas a algo que geralmente se encontra além do alcance da academia: a experiência.

                Assim, minhas obras tomam a forma de projetos de pesquisa de longo prazo, aplicando metodologias rigorosas a objetos da vida cotidiana. Eles partem de situações aparentemente corriqueiras a fim de investigar como os discursos sociais – história, direito, medicina, burocracia, ou mesmo astrologia – incidem sobre nossas identidades individuais; e propõem, a partir daí, intervenções mínimas em seu funcionamento. De natureza narrativa, cada projeto pode traduzir-se em fotografias, objetos, instalações, performances ou escritos, e ser apresentado no contexto de uma exposição, de uma publicação ou de uma palestra.

                Ser fiel à experiência, contudo, não significa aderir cegamente ao sentimento ou sensibilidade. Pelo contrário, estou à procura deste ponto de inflexão em que nossa experiência vai além da anedota pessoal e toma, subitamente, uma dimensão coletiva. Isto é, um significado social, político e econômico. Posição paradoxal a partir da qual torna-se viável enunciar algo de novo a respeito de si próprio, usando a terceira pessoa: eles. E daí, novamente, retornar à primeira pessoa: eu. Mas sob forma diversa.

                Não se trata aí de um novo delírio de objetividade, mas da busca por uma posição não romântica no domínio da expressão e da reflexão. Pois é precisamente por meio desses registros sociais, comuns a todos nós, que o afeto encontra a política e as estórias encontram a história. E se com frequência pareço ser o "tema" de minhas obras, é no papel de um sujeito anônimo enredado em uma situação da vida cotidiana na qual qualquer um pode facilmente se reconhecer. Ler minha experiência à luz de diferentes ideias, conceitos e hipóteses, é uma forma de fazer com que obras de arte possam funcionar como verdadeiros "estudos de caso".